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  Por que é que não eu não queria ter uma dívida ao banco?

Quando contraí o empréstimo habitação, o prazo para pagamento era de 45 anos. 45 anos! É um pensamento que me deixa arrepiada, tanto agora, como no momento em que aceitei fazer esse contrato com o meu banco.

Naquele momento, eu não via alternativa: queria casar e ter o meu espaço. Queria uma casa a que pudesse chamar de minha, mesmo que isso implicasse esperar todos aqueles anos.

Parte de mim achava que era um passo arriscado e a outra parte concentrava-se em aspetos positivos, como o facto de poder deixar um bem ao meus futuros filhos. A verdade é que também lhes podia, potencialmente, deixar uma grande responsabilidade. Eu era nova. Não pensei o suficiente, talvez.

Ainda assim, tudo correu bem e, hoje, posso contar-te uma história positiva, feliz, com o final, para mim, certo.

Deixo, de facto, um legado aos meus filhos. Mas trata-se de algo mais poderoso e valioso do que um bem: deixo-lhes o meu exemplo de determinação, orientação, poupança, organização e simplicidade. E isso é muito, mas mesmo muito, importante para mim.

Enquanto o empréstimo durou, o meu banco tinha-nos sob o seu jugo. Estávamos à mercê das flutuações, completamente imprevisíveis, dos mercados e das taxas de juro. Para além disso, um empréstimo implica que se pague, por causa desses mesmos juros, bastante mais sobre o bem que se está a adquirir. E esse é um valor que dificilmente conseguiremos reaver, pois, mesmo que queiramos, um dia, vender o bem, não poderemos imputar o nosso custo extra ao valor a receber.

Pagar esta dívida implicou algumas mudanças de hábitos, pesquisa por alternativas mais económicas de bens e serviços e por remover o que já não fazia sentido estar nas nossas vidas.

Simplificámos a nossa vida em nome da nosso bem-estar e da nossa liberdade financeira.

E esta foi a melhor decisão que podíamos ter tomado.